:: Leia aqui a matéria que saiu na Folha de São Paulo deste domingo ::
A invasão dos Animes e os comentários do pessoal importante das emissoras
:: Mas antes tem um comentário meu, claro! ::
Pô, nem eu nem o
Kan fomos citados na matéria....Snif! Snif! Tudo bem, reportagem tem dessas mesmo.
Seguinte, descobri uma coisa interessante sobre as matérias de animação japonesa escritas por jornais de grande circulação como a Folha de São Paulo. Os fãs que são entrevistados não sabem falar nada realmente bom sobre o assunto para os repórteres. A culpa dos erros não é deles, mas da informação que é passada para que eles façam a matéria.
Essa matéria já estava sendo preparada pela Folha, há pelo menos três semanas. Primeiro fui entrevistado pela repórter Carla Meneghini e algum tempo depois fui chamado novamente, mas dessa vez para falar com o Rodrigo Rainho. E sabe o que fiz?
Dei o máximo de suporte que eu podia. Como repórter dessa maluquice toda, falei tudo que rola sobre Anime aqui no Brasil, das histórias rolarem como um novela e tb um pouco das coisas que me revoltavamm, como a exibição de animação para adolescentes num horário dito infantil, o que faz com que as emissoras cortem algumas partes "pesadas" para que crianças de 6 a 10 anos possam assistir.
Falei sobre o volume de produções que existem no Japão e como os licenciadores só escolhem os desenhos que se parecem com animes que fizeram sucesso anteriormente. Pokémon fez sucesso? Então entramos com Digimon, Monster Rancher, Yu-Gi-Oh e o mais recente Bey Blade. Não interessa que seja uma porcaria é igual, tem monstros e coisas de colecionar. Cavaleiros do Zodíaco fez sucesso? Então, entramos com Samurai Warriors, Shurato e etc.
Nós conversamos durante pelo menos uma hora sobre tudo isso e como falei sobre os Cosplayers, eles resolveram tirar uma foto de um grupo para ilustrar a capa (A foto ficou legal, mas no meio do Hamtaro ficou non sense).
Mandei para ele um texto muito bom, escrito pela Cristiane A. Sato da Abrademi sobre a história dos Animes e isso fez com que a reportagem fosse atrás dela para comentar.
Foi muito importante para mim como repórter ajudar com essa reportagem e ver como ela saiu de forma a agradar um pouco aos fãs e tb aos leigos neste vasto assunto que é a animação japonesa e os mangás. Mas melhor do que isso foi o fato da reportagem ir atrás dos
"fodões" das emissoras e conversar diretamente com eles sobre os Animes e os cortes e alterações. Uma prova definitiva de que isso acontece por ordem direta das licenciadoras.
E depois ainda me aparecem alguns idiotas na internet para criticar as dubladoras como a
Parisi Vídeo que teve que redublar 36 episódios só para tirar o nome Kagomê e mudar para Agome. Uma coisa estúpida que aconteceu, mas que tá na cara que foi uma ordem direta da licenciadora.
:: Se você não comprou o jornal deste domingo pode ler aqui... ^^" ::
Mais três desenhos animados japoneses estréiam na TV paga para alegria dos fãs. Mas qual o segredo de tanto sucesso?
MARCELO MIGLIACCIO
EDITOR DO TV FOLHA
RODRIGO RAINHO
DA REDAÇÃO
PARA que se tenha uma idéia da penetração dos desenhos animados japoneses no planeta, a expressão "Dragon Ball" foi a mais procurada no site de busca Lycos no ano passado, deixando para trás Britney Spears, Napster, Osama bin Laden e World Trade Center. Neste mês, os fãs brasileiros do gênero foram presenteados com mais três estréias, todas no canal pago Fox Kids, que já está exibindo "Beyblade" (18h), "Shaman King" (19h) e "Medabots" (22h), no bloco "Invasão Anime". Mas qual a razão de tanta popularidade? "Diferentemente do desenho tradicional, nos "animes" [abreviação de "animations'" todos os episódios são amarrados, como uma novelinha. Os personagens são desenvolvidos a fundo. Esse elo que o telespectador cria com a história pode ser uma explicação", diz Flávio Rocha, diretor responsável pela programação infantil da Globo. A emissora exibe atualmente a terceira temporada de "Digimon Tamers" e "Dragon Ball" na faixa "TV Globinho", e "Dragon Ball Z" na "Sessão de Desenhos". "Em alguns poucos casos, torna-se necessário suavizar o conteúdo de alguma cena para adequá-lo à faixa etária do programa", diz Rocha. "Os "animes" têm forte conteúdo moral e dão uma clara distinção entre o bem e o mal", afirma Herbert Greco, diretor responsável pela programação do Fox Kids. Para Cindy Kerr, vice-presidente de programação e aquisições do Cartoon, "sendo você jovem ou velho, um roteiro é capaz de conquistar a sua fidelidade." A direção ágil, a animação limitada (12 quadros por segundo contra 24 dos desenhos clássicos) e as cores contrastantes também contribuem para o interesse despertado por essas produções, segundo Cristiane Sato, presidente da Abrademi (Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações). "Comecei a ver "animes" aos 10 anos. Olhamos nos olhos dos personagens e vemos as emoções. Alguns deles crescem com os telespectadores, como acontece em "Dragon Ball'", diz Lilian Maruyama, 23, ativista da Orcad (Organização Cultural de Animação e Desenho), que reúne fãs em São Paulo.
Violência
Mas há os que enxergam uma dose excessiva de violência nos "animes", assim como ocorre nos desenhos americanos, nos quais levar uma bigorna na cabeça é rotina. Para Maria Angela Barbato Carneiro, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP, o desenho japonês violento pode estimular a agressividade nas crianças. "O mundo da criança está perdendo o encanto", afirma. O diretor de programação do SBT, Mauro Lissoni, concorda: "Em função do teor agressivo desses desenhos, e em respeito ao público, resolvemos não incluir tais produções em nossa grade de programação". "Temos cautela, equipes do Fox Kids e da Disney [proprietária do canal" avaliam e cortam cenas agressivas", diz Flávio Medeiros, diretor do grupo Disney. Claudemir Edson Viana, pesquisador do Lapic (Laboratório de Pesquisa sobre Criança, Imaginário e Televisão), concorda que o desenho é capaz de influenciar crianças com problemas emocionais cuja separação de fantasia e realidade não esteja clara. "Mas a maior influência vem do meio em que a criança vive. Por isso, o papel dos pais na formação moral e social é fundamental", diz. Viana, porém, afirma que a violência dos desenhos japoneses não é gratuita, mas parte do desafio do personagem dentro de um contexto narrativo. Ele considera os "animes" mais sutis que as produções dos EUA, onde as lutas envolvem quase sempre disputas individuais por bens materiais. "Não há oposição tão estereotipada e mecânica. Jovens lutam pelo bem da humanidade."
Público alvo
Aí entra outra questão: muitos desenhos japoneses consumidos no Brasil por crianças não foram concebidos para o público infantil. "Os "animes" exibidos aqui geralmente são os lançados para adolescentes ou adultos no Japão", diz Cristiane Sato, que, no entanto, considera noticiários e "talk shows" mais nocivos às crianças.
PROGRAMAÇÃO
GLOBO
"Digimon Tamers"
"Dragon Ball"
"Dragon Ball Z" - seg. a sex., a partir das 9h30
RECORD
"Pokemón 3" - dom., 11h
CARTOON
"Hamtaro" - seg. a sex., 8h30 "Sailormoon Super S" - seg. a sex., 16h "Sakura Card Captors" - seg. a sex., 16h30 "Pokemón 3" - seg. a sex., 17h "Gundam Wing" - seg. a sex., 17h30 "Dragon Ball Z", seg. a sex., 18h30 "Corrector Yui", seg. a sex., 1h "Speed Racer", sáb., 3h15
FOX KIDS
"Flint, o Detetive do Tempo" - sáb., 7h30 e dom., 11h "Digimon 3" - seg. a sex.,17h30 "Beyblade" - 18h "Autopista", 18h30 "Shaman King" - 19h "Shinzo", 19h30 "Os Cavaleiros de Mon Colle" - seg. a sex., 20h "Transformers, a Nova Geração" - seg. a sex., 20h30 "Medabots" - seg. a sex., 22h
LOCOMOTION
"Cliffhanger" - seg. a sex., 15h30 "Evangelion" - seg. a sex., 21h30 "Cawboy Bebop" - seg. a sex., 22h "Pet Shop Of Horrors" - qui., 0h "Let's Dance With Papa" - qua., 0h "If I See You In My Dreams" - qua., 0h15
NICKELODEON
"Cubix" - sab. e dom., 11h30 "Yu-Gi-Oh" - sáb. e dom., 12h30
Primeiro desenho é de 1963
JOSÉ AGUIAR
FREE-LANCE PARA A FOLHA
Muitos desenhos animados japoneses têm origem nos quadrinhos produzidos no país (mangás), que servem de teste para futuras séries de TV. Talvez o mais ilustre fã do gênero no Ocidente seja Gendy Tartakoviski, criador de "Laboratório de Dexter" e "Meninas Superpoderosas", séries repletas de referências ao pop nipônico. A influência encontrou seu expoente máximo na nova série de Tartakoviski, "Samurai Jack", tributo estético aos maneirismos e clichês do gênero. Mas é fato que muito do que de melhor é produzido no Oriente não chega a nós. Obras de autores como Miyazaki estão restritas aos fã-clubes que importam "animes". Filtrando as séries comercialóides (Pokémons, Digimons e afins) que infestam a TV atualmente, restam bons desenhos que valem ser lembrados. Quem abriu o caminho foi "Astro Boy" ("Tetsuwan Atom"), criação do quadrinista Osamu Tesuka. Em 1963, foi a primeira série animada produzida no Japão e teve 193 episódios. Tesuka criou também outros dois "animes" populares no Brasil: "A Princesa e o Cavaleiro" e o leãozinho "Kimba". Outra série de sucesso foi "Speed Racer" ("Mach Go Go Go", no original), sobre as aventuras de um piloto e seu carro de corrida. A série, de 1967, é cultuada e já passou até na MTV. A extinta Rede Manchete teve papel importante na popularização dos "animes" no país. De todas as séries que exibiu, talvez a mais célebre seja "Patrulha Estelar" produzida em 1974 e mostrada 11 anos mais tarde no primeiro programa infantil de Xuxa Meneghel. Nela, o encouraçado Yamato, afundado na Segunda Guerra Mundial, era restaurado e transformado numa espaçonave de batalha que defendia a Terra de invasores. Depois disso, os "animes" sofreram do descaso total das emissoras. Incapazes de compatibilizar seu formato (de histórias longas, quase como novelas), os canais exibiam episódios fora de ordem e muitas vezes nem sequer mostravam o final. Foi assim com "Zillion", que marcou as manhãs de domingo da Globo nos anos 80, e "Macross", que só foi exibida decentemente na CNT. Nos anos 90, novamente a Manchete voltaria a dar atenção a esses desenhos. Tanto que um de seus últimos trunfos foi o fenômeno "Cavaleiros do Zodíaco", um "anime" mediano, mas que caiu como uma bomba num público sedento de novidades. "Cavaleiros" abriu caminho para sagas como "Dragon Ball" e "Gundam", entre outras. Resta esperar que as emissoras escolham melhor as séries que vão exibir. Afinal, nem todo "anime" limita-se apenas a ser uma propaganda de brinquedos diária. O melhor do gênero ainda permanece desconhecido do público brasileiro.
Fonte: Folha de São Paulo, domingo, 20 de outubro de 2002