Movie Review: Spirit – o corcel indomável
“Venha para onde está o sabor...”
“Queríamos quebrar todas as regras, a começar pelo fato de um filme ser contado através dos olhos de um cavalo. Nenhum animal ali fala”. – palavras do produtor Jeffrey Katzenberg
Quando ouvi que Spirit seria algo como “saiba como foi a conquista do oeste americano pela visão de um cavalo”, fiquei preocupado. Afinal, como iriam fazer isso?
Passei a semana inteira ouvindo gente dizendo que Spirit era um animado bem ruim, mas tinha que conferir com meus próprios olhos. O pior é que é verdade, a primeira impressão que se tem depois de assisti-lo é de que tudo poderia ser bem melhor, afinal não foi o visual, a trilha sonora, a dublagem ou a história que deixaram o filme fraco, mas sim, a combinação de todos esses elementos.
A começar pela parte visual, Spirit seria aquele que uniria animação tradicional com CGI (computação gráfica) de forma convincente. Unir o mundo irreal da animação com o realismo da tridimensionalidade. Spirit não consegue fazer isso, parece que faltou dinheiro no meio da produção. Você consegue notar defeitos tremendos, algumas vezes os personagens em primeiro plano são desenhados, enquanto que os do fundo foram moldados em CGI, mas de forma tão mal feita que mais parecem saídos de algum jogo do Playstation.
SPIRIT — O CORCEL INDOMÁVEL foi rodado com todas as intenções e objetivos de um filme mudo, com a narração, música e canções gravadas depois que a animação estivesse completa. Kelly Asbury explica: “Decidimos contar a história visualmente. A pequena quantidade de narração ou de diálogo foi cuidadosamente selecionada para os momentos-chave do filme de forma a dar apoio à história, com a mesma função daqueles cartões-legendas da época dos filmes mudos”.Ninguém entendeu isso. Nem eu!
Na dublagem, temos Matt Damon sendo o narrador que expressa os sentimentos do cavalo-protagonista, enquanto o mesmo fica relinchando o filme inteiro, o que por mais incrível que pareça, tira toda a emoção das cenas.
E como se já não bastasse, tem as músicas do Paulo Ricardo que não combinam com o que está acontecendo na história. Isso sem falar que cada vez que entra uma música do cara dá vontade de dar uma cabeçada na parede mais próxima.
Segundo o release,” SPIRIT — O CORCEL INDOMÁVEL mostra as aventuras de um mustangue garanhão à medida que ele atravessa a selvagem fronteira americana. Ao encontrar o homem pela primeira vez, Spirit desafia ser domado, apesar de acabar por desenvolver uma incrível amizade por um jovem índio Lakota chamado Pequeno Rio. O corajoso e jovem garanhão também descobre o amor de uma linda égua malhada, chamada Chuva, em sua jornada para se tornar um dos maiores heróis não-glorificados do Velho Oeste.Putz! E Depois disso, ele vive feliz para sempre? O Velho Oeste serve como pano de fundo para uma história previsível e sem graça. É uma pena, poderia mesmo ter saído bem melhor.
Curiosidades Curiosas
O pior é saber que os caras tiveram um trabalhão. Saca só:
A equipe, composta por mais de 380 pessoas, trabalhou ao longo de três anos para produzir Spirit. Os diretores de SPIRIT- O CORCEL INDOMÁVEL, Kelly Asbury e Lorna Cook, já haviam trabalhado juntos na história do primeiro filme de animação da DreamWorks, O Príncipe do Egito.
Sobre a produção:
· 70% dos profissionais que trabalharam nas imagens de animação em 2D e 3D são de nacionalidade diversa da americana, vindos de 15 diferentes países e dos cinco continentes.
· 2.785 semanas foi o tempo que se levou trabalhando para criar as imagens em 2D dos personagens entre março de 2000 e junho de 2001.
· Foram feitos ao todo 118.056 desenhos que, se fossem postos lado a lado, se estenderiam por mais de 50km.
Sobre o efeitos:
· SPIRIT - O CORCEL INDOMÁVEL utilizou novas tecnologias para que as sombras fossem desenhadas digitalmente em aproximadamente 95% das tomadas com efeitos, que haviam sido desenhadas à mão em O Príncipe do Egito e O Caminho para o Eldorado.
· O departamento de efeitos em 2D criou mais de 137.000 desenhos no curso da produção.
· 40% das cenas de SPIRIT¾O CORCEL INDOMÁVEL possuem efeitos em 3D, incluindo fogo, fumaça, água, grama, poeira, correntes, nuvens e objetos de cena.
· 149 cenas têm correntes criadas por efeitos em 3D (especialmente na seqüência em que Spirit e os demais cavalos puxam a locomotiva morro acima).
· 46 cenas têm efeitos em 3D com água, com nada menos que 503.684 efeitos em 3D de água espirrando (principalmente na seqüência intitulada O Resgate de Chuva).
· O trabalho com efeitos em 3D no filme requereu 16 artistas de altíssimo nível e consumiu 17 meses para ser concluído.
Sobre o design dos cenários:
· O Departamento de Cenários usou mais de 375 latas de tinta e mais de 400 pincéis.
· Alguns dos esboços experimentais do filme eram tão detalhistas que eram freqüentemente confundidos com os efetivamente pintados.
· A equipe de criação dos cenários viajou para Vasquez Rocks (região onde são filmados os filmes de faroeste) a fim de buscar inspiração para pintar as paisagens do filme.
· Mais de 4000km de terreno do oeste dos EUA foi pintado como pano de fundo da jornada de Spirit. Os cenários abrangeram do Grand Canyon aos Grand Tetons.
· O departamento pintou todo tipo de paisagem conhecida, desde as planícies secas às congelantes pradarias.
· 421.154 desenhos foram escaneados no decorrer da produção. Se postos lado a lado, se espalhariam por 186km, quase a metade da distância até a Estação Espacial Internacional.
· Para poder se adequar ao formato wide-screen, a animação da águia era por vezes feita no papel, com uma largura de cerca de 90cm.
O trabalho de pesquisa:
· A equipe de criação de SPIRIT - O CORCEL INDOMÁVEL visitou oito parques nacionais localizados no oeste dos EUA em quatro dias: Glacier National Park, National Bison Range, Yellowstone Park, Grand Teton, Monument Valley, Bryce Canyon, Grand Canyon e Yosemite.
· Um pôr-do-sol no Grand Canyon inspirou a cena com o sol se pondo na seqüência da Journey Montage.
· Quando uma queda da energia aconteceu em Monument Valley, no estado de Utah, a escuridão total e uma tempestade com raios ao longe serviram de inspiração para uma impactante cena com relâmpagos.
· Durante a pré-produção, a equipe de criação assistiu diversas palestras ministradas por Bruce Bloch sobre a aplicação do formato wide-screen.
Sobre a tecnologia:
· Mecanismos especiais foram desenvolvidos para que o equipamento destinado a escanear imagens se adequasse aos desenhos para o formato wide-screen.
· Um sistema de última geração para testar a arte com lápis denominado Toonshooter foi desenvolvido para o filme. Software e hardware sob medida foram criados para serem usados pelos profissionais de animação.
· O Toonshooter permite que os artistas verifiquem se o trabalho de animação está de acordo com a fidelidade e a resolução que um filme exige, e também permite que se mantenha a continuidade relativamente a outros personagens, cenários e efeitos.
· 200.000 linhas de código de software foram escritas para SPIRIT¾O CORCEL INDOMÁVEL.
· 1.040 recursos de software foram utilizados.
· 56.890 pés de filme foram utilizados.
Infraestrutura técnica de computação:
· 400 estações de trabalho de última geração foram usadas na criação de SPIRIT¾O CORCEL INDOMÁVEL.
o 150 dos quais eram HP, Intel P3, processadores 1Ghz (com um processador ou um par de processadores)
o 250 dos quais eram da marca SGI-Silicon Graphics International (Octanes e O2)
· Estatísticas dos processadores renderfarm:
o 150 processadores renderfarm da SGI
§ 75 deles eram Origin200’s
§ 3 multiprocessadores (8 e 16) Origin2000s
o 32 processadores Intel/Linux renderfarm
· 3.5 Terabytes em armazenamento de dados foram utilizados em SPIRIT¾O CORCEL INDOMÁVEL
· O filme marca a primeira utilização significativa do sistema operacional Linux na produção de animação que usa tecnologia de última geração.
o SPIRIT - O CORCEL INDOMÁVEL foi o primeiro filme todo desenhado e colorido digitalmente usando o sistema operacional Linux.
o Todo o processamento de imagens (digitalização e processamento de desenhos em traço) foi feito no sistema operacional Linux (32 processadores renderfarm - Intel P3)
A panorâmica da terra natal:
· O design da primeira tomada, conhecida como a Panorâmica da Terra Natal, levou 9 meses e mostra um vôo contínuo através do movimento da câmera, que conduz o público pelos vários parques nacionais americanos.
· Esta seqüência foi uma das primeiras a terem sua produção iniciada e uma das últimas a serem concluídas.
· A Panorâmica da Terra Natal tem 4.183 quadros (2 minutos e 54 segundos).
· A panorâmica levou 25.500 horas para ser completada, o que equivale a uma pessoa trabalhando mais de 8 anos sem férias. Durou 42 vezes mais do que uma tomada típica.
· Durante a sua criação, a tomada foi dividida em 7 partes, com o intuito de facilitar a produção. As partes foram depois unidas sem emendas.
· A panorâmica foi feita através da combinação de milhares de partes que incluíram:
o 723 elementos em 2D para o cenário
o 2.664 desenhos feitos em animação tradicional
o 126.027 elementos gerados por computação gráfica
o 1.856 elementos pintados que foram transportados para 3D de modo a se fazer os cenários virtuais
O design de som:
· Os sons característicos dos cavalos que são ouvidos no filme são autênticos, e não reproduzidos por atores.
· Dois editores assistentes e o desenhista de som passaram 150 horas gravando diferentes sons emitidos por cavalos em seu habitat.
· O especialista em cavalos Dr. Deb passou dois anos trabalhando com esses animais em Fresno, na Califórnia, para conseguir captar os sons emitidos por cavalos utilizados no filme.
· 1.500 vocais diferentes de cavalos foram usados no filme.